Ele quebrou a regra para cumprir a Lei.


 

Vença as tentações da auto-afirmação

                        Silas Daniel
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Um dos tipos de tentação mais recorrentes hoje em dia é o desespero da auto-afirmação. Refiro-me àquela vontade de deixar de lado o “confiar e descansar em Deus” e a prudência para se precipitar loucamente, e a todo custo, na busca da concretização de seus próprios sonhos.

 

Em síntese e em termos cristãos: em vez de a pessoa trabalhar pacientemente, esperando o momento de Deus exaltá-la, ela trabalha tresloucada e impacientemente para conseguir sua própria exaltação, mesmo que pelos meios menos indicados. O que Homero chamava de areté (excelência por seus próprios méritos) e o reconhecimento são, para esse tipo de pessoa, o maior objetivo de sua vida.

 

Ora, desejar a excelência não é errado. Buscar fazer o melhor é corretíssimo. O problema está em procurar doentiamente o reconhecimento e até mesmo recorrendo à precipitação e a atalhos perniciosos. Tanto para essa tentação como para outros casos, o maior exemplo é Cristo. Ele é o nosso modelo, o nosso manequim, o exemplo a ser perseguido. Vejamos, portanto, como Ele lidou com esse tipo de tentação.

 

Com cerca de 30 anos, Jesus foi batizado por João Batista no Rio Jordão. Em seguida, antes de dar início ao seu ministério, partiu para o deserto da Judéia, onde foi tentado pelo Diabo (Mt 4.1-11). Jesus estava no auge de sua juventude quando isso ocorreu. E o mais interessante é que as três tentações que Ele enfrentou ilustram perfeitamente três tentações fundamentais a respeito da auto-afirmação que são bem próprias da juventude.

 

Aliás, a ansiedade é uma marca da juventude, embora ela se manifeste também em todos os outros momentos de nossa vida. Não é à toa que o apóstolo Pedro, ao escrever que devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, estava dirigindo-se precipuamente a jovens (1Pe 5.5-7).

 

Na primeira proposta do maligno, Jesus foi sugestionado a transformar pedras em pães, sob o pretexto de comprovar sua divindade e matar sua fome, já que estava em jejum há 40 dias. Jesus não aceitou tal proposta porque, em primeiro lugar, sabia muito bem quem era e, portanto, não precisava provar nada para si mesmo ou alguém. E, em segundo lugar, por mais que já estivesse bem perto do fim de seu jejum, este ainda não havia terminado. Ele deveria esperar um pouco mais para, então, finalmente, suprir uma necessidade absolutamente justa: alimentar-se.

 

Assim como aconteceu com o Mestre, vez por outra acontece conosco. Às vezes temos uma necessidade a ser suprida, algo absolutamente justo, coerente, mas tal suprimento só poderá acontecer depois de concluído o tempo estabelecido por Deus para a espera.

 

Comer pão é pecado? Não. Não há nada de errado em comer pão. É um desejo coerente e justo. Porém, não era hora de Jesus fazer milagre para comer pão. Mais à frente, quando foi preciso, Ele multiplicou pães e peixes. Note: quando foi preciso!

 

Em outras palavras, através de sua atitude diante da primeira tentação, Jesus estava nos ensinando o seguinte: Não atropele os limites. Não arrombe portas. Não cruze o sinal vermelho. Seu desejo é justo? Ok. Mas e o momento? Ele é próprio ou impróprio para seu desejo ser atendido?

 

Só atravesse as estradas da vida no sinal verde de Deus. Não force as circunstâncias. Espere a porta se abrir. Aguarde a hora certa! Não transforme “pedras em pães” para provar que você é realmente isso ou aquilo. Não ouça o que os outros dizem que você é, e nem se conforme ao que você acha que é. Escute o que Deus diz que você é!

 

A segunda proposta do Maligno a Jesus foi a de pular do pináculo do Templo de Jerusalém, sob o pretexto de que anjos o socorreriam, amortecendo a sua queda. Ora, a idéia era tentadora demais. Havia uma multidão de circunstantes em volta do Templo, e se ela visse Jesus levitando, descendo suavemente, quebrando a Lei da Gravidade, se prostraria aos Seus pés e se convenceria de que Ele era o que afirmasse ser. Jesus iria começar ainda o Seu ministério, e tal chegada “hollywoodiana” seria impactante o suficiente para que todos reconhecessem rapidamente a importância que Nele habitava.

 

Porém, o Mestre não aceitou tal sugestão, afirmando: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mt 4.7). Ou seja, Ele estava dizendo, em primeiro lugar, que o Senhor promete proteger os Seus, mas isso não significa que por isso vamos ficar brincando com o perigo. E, em segundo lugar, na perspectiva do que falamos no parágrafo anterior, Jesus queria dizer também que Deus haveria de honrá-lo, mas não daquela maneira. Pular do pináculo do Templo seria forçar Deus a honrá-lo logo. É a tentação de querer forçar uma situação para que as pessoas nos observem como gostaríamos que fôssemos observados.

 

Quantas vezes não sofremos essa tentação! Ela pode ser vista quando alguém quer ser, a todo custo, o alvo de todas as atenções de seus amigos, de algum grupo específico ou da sociedade como um todo a todo. Como não é percebido, em vez de confiar no Senhor e esperar o momento certo de Deus honrá-lo, resolve “pular do pináculo do Templo”, por assim dizer; precipitar-se. Ele faz tudo o que for possível, até mesmo uma loucura, para ter finalmente os holofotes sobre si. E quanto mais louco for o ato, melhor para chamar a atenção. É como uma criança ou adolescente que pratica algum ato contumaz de rebeldia ou passar a ter um comportamento irritante para chamar a atenção de deus pais ou de seus amigos.

 

Se você sente-se tentado dessa maneira, lembre-se que isso é tolice. Não vai ser dessa maneira teimosa que você vai conseguir a atenção corretamente. Você não deve ser visto como um problema. É assim que o Inimigo de nossas almas quer que você seja visto pelos outros. Deus, ao contrário, quer que você seja uma bênção! “E tu serás uma bênção” (Gn 12.2).

 

Por fim, o Diabo ainda propôs a Jesus um caminho mais curto e seguro para conquistar o mundo para o Seu Reino: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4.9). Ele estava propondo um atalho sem cruz, e exigia algo absolutamente inaceitável para isso: prostrar-se ante ele. Jesus respondeu: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás” (Mt 4.10).

 

Essa é a tentação do “jeitinho”. Os fins não justificam os meios. Não negocie princípios e valores para chegar mais facilmente a um objetivo. Fique na vontade de Deus, por mais que isso signifique às vezes suportar uma cruz pesada. Lembre-se que depois da cruz vem a ressurreição, a ascensão e a glória. O melhor está no fim! A vitória está na fidelidade (Hc 2.4).

 

Por fim, se queremos vencer esse tipo de tentação, temos que observar mais duas coisas marcantes em Jesus nesse episódio: Ele só venceu o Maligno porque estava em oração e guardara a Palavra de Deus em seu coração. Palavra e oração: a vitória está aí.

 

Seja orientado pela Palavra e se fortaleça na oração e na Palavra, e você vencerá todas as ciladas do Inimigo, em nome de Jesus!

 

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Silas Daniel é ministro evangélico da Assembléia de Deus em Artur Rios, Rio de Janeiro (RJ), jornalista, conferencista, articulista e escritor. Autor de “Como vencer a frustração espiritual” e “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”. Contatos: silas.daniel@cpad.com.br

 

 

 

 

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