Ele quebrou a regra para cumprir a Lei.


 

Segunda-feira:

Começar o regime. De urgência. Só falta descobrir a dieta que a Adriana fez. Aquela v….! Tudo bem, ela emagreceu, aquela porca! Ai,  ela ta macérrima, aquela barata seca! Calma! Sangue-frio! Agora é pensar na estratégia: chego perto dela, elogio a elegância e pergunto que dieta ela fez. Fácil! Difícil vai ser elogiar aquela vara de marmelo. Mas vá lá. Ela que me aguarde…

Terça-feira:

Jogar na Sena. Preciso enriquecer. Emergentemente! Aí eu ofereço uma nota preta pela cobertura duplex da Valéria. Ela não vai ter a petulância de recusar a minha proposta. Depois, ela não tem gabarito pra morar ali. E eu aqui nesse sala e quarto… Mas um dia a casa cai. A dela, não a minha. Isso mesmo! Assim que eu comprar a cobertura, boto tudo abaixo. Os dois andares. Mudo tudo. Só pra humilhar. E enquanto durar a reforma fico morando no apart-hotel mais caro da cidade. Agora o mais importante: quem vai contar tudo isso pra Valéria?

Quarta-feira:

Receber dinheiro da indenização. Finalmente! Não é lá essas coisas, mas vá lá. Aplicar hoje mesmo. E nas férias vou pra Miami. A Maria já foi quatro vezes… coisa mais cafona… Eu vou é pra Nova Iorque! Ela vai todo ano. É melhor descobrir um lugar para onde ela nunca tenha ido. Deixa eu ver esses cartões-postais que aquela cobra me mandou… Tokyo, Cancun, Abrolhos, Jerusalém, Casablanca, Venezuela, Paris, Stratford-upon-Avon… já sei! Iugoslávia! Tenho certeza de que pra lá ela nunca foi! E é pra lá que eu vou! Pode parecer estranho, mas guerra é guerra!

Quinta-feira:

Hoje eu marquei de ir ao shop com a Lucy. Não devia ter marcado. Ela vai chegar vestida como se já tivesse feito as compras. E eu com minhas roupas velhas. Nada combina com nada. Não sei como a Lucy tem tanta criatividade. Ela não repete uma roupa. Acho que ela copia essas revistas de moda… Ah, o pior é que o namorado dela tem loja lá. É claro que ela vai querer visitá-lo. Nossa, que homem! Não gosto nem de olhar. Ele nem me olha… Eu não sei o que ele viu nela. Deve ser porque ela se veste bem. É só fachada. Por falar nisso, esse mês tem cota extra do condomínio pra reforma da fachada. Eles bem que podiam copiar aquele prédio da esquina. Ali só mora gente da alta. Bom, se não der pra fazer igualzinho, que fique pelo menos parecido… Falar com a síndica.

Sexta-feira:

Ai, que saco! Já acordei de mau humor. Também não é pra menos. Vou ter que comparecer sorridente à festa de promoção da Regina. O pior vai ser entrar na vaquinha do bolo, dos salgadinhos, da cervejinha. Ô, gentalha! Ô, injustiça! Poxa, eu tenho muito mais tempo de empresa, muito mais competência, dedicação. Tudo bem, ela tem aquela bunda e aquela cara de ?vai comer agora ou quer que embrulhe??. Ela deve ter saído com o chefe. Até aí, eu também… deixa pra lá. Mas nem tudo está perdido. Tem aquele cara, o Júnior, que me dá o maior mole. Ele é meio bunda mole, mas já ouvi dizer que a família dele tem posses. Vai que alguém morre e ele ganha uma herança? Aí eu só apareço no escritório pra dizer umas verdades pra Regina, aquela carreirista.

Sábado:

Hoje eu tenho o dia inteiro pra mim. Primeiro vou malhar. Umas quinhentas flexões até eu ficar com a bunda da Tiazinha. Depois vou me depilar… Eu só queria saber o que a Claudia Raia fez pra merecer aquelas pernas. Deve malhar o dia inteiro. Não tem que pegar no batente que nem eu. Ao meio-dia faço o cabelo: massagem, relaxamento, escova, bobs, faço qualquer negócio mas não saio daquele salão enquanto o meu cabelo não ficar igualzinho ao da Malu Mader. Ela deve passar horas no cabeleireiro. Deve ter um monte de babás pra cuidar daqueles filhos lindos. Bom, se eu tivesse aquele marido, ficava me emperequetando no salão o dia inteiro. Só saía de lá pra fazer mais filhos e botava todos nessas escolas badaladas. No fundo, é tudo a mesma porcaria, mas sem dúvida, a criança já sai dali com um bom casamento engatilhado. Por falar em casamento, nem o Júnior ligou. Acho que estou encalhada… Ô, vida…

Domingo:

Churrasco na casa da Vera e do Marcos. Imperdível. Lá se come muito bem… Na verdade acho meio ostensiva toda aquela fartura. Puro exibicionismo. Eles nem pedem pra gente levar uma cervejinha. Mas eu sempre levo. A m… é chegar lá sem carro. Quando é que eu vou ter o meu? Mas tem que ser importado. Aí eu vou passar toda importante na frente dessa gente que finge não se importar com carrão. Paro num restaurante chiquérrimo e como o que me der na telha. Que nem essas pessoas que nem olham os preços no cardápio. Puro fingimento. Mas é assim que eu vou fazer. E o melhor: não vou ter que lavar louça. Ô, meu Deus, de tudo isso que eu falei, já me contento só com parar de ter que lavar louça!

 

Campos Eternos  

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