Ele quebrou a regra para cumprir a Lei.

Máscaras


 

MÁSCARAS

TEXTOS: Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

O estágio evolutivo em que se encontra a humanidade, o da civilização, mostra que, no processo, o regime da força, dos instintos animalescos, foi substituído pelo da astúcia. Procura-se a vitória utilizando-se máscaras, que escondem a verdadeira personalidade do seu usuário. Assim se porta a maioria da nossa sociedade e o exemplo mais enfático é o da nossa classe política. Com honrosas exceções, o que se esconde por trás da beleza das máscaras com que se apresentam os nossos políticos?  

 

A arte de se mascarar, historicamente marcante no carnaval de Veneza, pode ser tomado como emblema para a astúcia do atual estágio evolutivo do  homem civilizado. A máscara tem sido a sua principal arma para conquista de seus objetivos, nem sempre confessáveis. Na sociedade tem sido apenas uma arma  para esconder fragilidades de personalidades. A evolução, através da espiritualização, vai nos  mostrar por inteiro, como de fato somos.  

                                                    J. Meirelles 

 

Admiremos a beleza das máscara de Veneza, uma verdadeira arte, e meditemos sobre o texto do grande Drummond de Andrade, que, no campo romântico, mostra-nos como é difícil deixar de usar a máscara.

 

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!

 

Fácil é ouvir a música que toca.

Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

 

Fácil é ditar regras.

Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

 
Fácil é perguntar o que deseja saber…

Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

 
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.

Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

 

Fácil é dar um beijo.

Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

 

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.  
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

 

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.  
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

 

Fácil é ver o que queremos enxergar.

Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.  Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

 
Fácil é sonhar todas as noites.

Difícil é lutar por um sonho.

 
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.  
Difícil é mentir para o nosso coração.

 
Fácil é dizer "oi" ou “como vai”?

Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…

 
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.  
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

 

Fácil é querer ser amado.

Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

 
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.

Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

 
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

 

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.  
D
ifícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

 

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.

Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

 

Quando não dou conta de responder alguma coisa, leio um poema do Drummond. (Adélia Prado) 


 
Vlw Lito Touron 

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Comentários em: "Máscaras" (4)

  1. Mario de disse:

    Creio que o texto não é de Drummond… embora belissimo…Mario de Almeidamario_almeida@pop.com.br

  2. Mario de disse:

    Talvez de Mario Quintana…. outro "monstro sagrado"…

  3. Cristina disse:

    Pps revisado. Máscara por Dante Milano, sendo que Reverência ao Destino é de Autoria Desconhecida, por NÃO constar no acervo de Drummond (sem referencial bibliográfico fidedigno, na mídia) Dica: Favor visitar a Comunidade Afinal, quem é o autor? (orkut), pesquisem em bibliotecas e s(a)ites como o Memória Viva © Graña Drummond

  4. lucia helena marson disse:

    quando estou perdida no espaço e no tempo dou um enter nesse texto e ouço a música do contraz.choro e me encontro com DEUS

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